domingo, 24 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador - um genial retorno à esência perdida dos filmes medievais! (nota: 10,0!)
Estou escrevendo este comentário no calor da emoção. E não tem outra forma de fazê-lo. Acabo de assistir ao maravilhoso "Branca de Neve e o Caçador". Estou em êxtase completo! Uma das sensações mais legais que posso experimentar é sair de um filme com a sensação de que ele cumpriu totalmente sua missão. Pois bem: "Branca de Neve..." cumpre! E muito mais do que eu esperava! Esqueça tudo que você assistiu em termos de filmes medievais depois do marco "Excalibur" - tudo o que veio depois (exceto o primeiro Conan, que, na realidade não é medieval, assim como os ótimos 300 e a trilogia "Senhor dos Anéis") não chegou perto do clima e da essência da lenda do Rei Arhtur dirigida por John Boorman. Esqueça tudo desde o razoável "Gladiador" até os péssimos "Rei Arthur" e "Cruzada". "Branca de Neve..." retoma o rumo perdido desde os anos 80 e o diretor, o estreante Rupert Sanders volta à essência antiga. Desde o trailer eu já tinha noção de que o filme seria excelente e ao inciar a projeção a beleza tomou conta da tela do início ao fim. Sem "truquinhos Ridley Scott em câmara lenta", sem "olhinhos arregaladinhos Russell Crowe", sem "vozinhas graves sou machão" (exceto algumas coisas do Chris Hemsworth - que mesmo assim desempenha muito bem seu papel). Aqui a disputa é entre as mulheres e as duas "feras" mostram as garras de verdade! Lindíssima adaptação do conto de Branca de Neve o filme é tenebroso, sombrio, realista (até onde pode), fantasioso (idem), poético e...sério. Não tem piadinhas como na ridícula adaptação da Branca de Neve feita pelo Tarsem Singh (UGH!)

O genial filme de Sanders é mais ou menos o "Senhor dos Aneís" do gênero (claro, guardadas as devidas proporções da produção) e é impecável do início ao fim.
As cenas de ação são à moda antiga - orgânicas e sem caricaturas
e câmara lenta.
Kristen Stewart tem melhorado cada vez mais como atriz.
Demonstra paixão, melancolia, fúria, desespero... 
Claro que se o comentário não fosse ficar muito longo caberia uma análise mais psicanalítica dos personagens - a disputa entre duas fêmeas pelo trono, a disputa entre  filha e madrasta, a sucumbência do homem frente à beleza da mulher, o uso da beleza pela mulher como forma de vingança. Tudo tratado em alto nível. Mas não podemos esquecer que estamos tratando de cinema e a emoção é o sentimento mais importante que brota na tela, como o cinema deve ser.  Os vilões são excelentes com destaque para o irmão da rainha. Focando as cenas em closes, inclusive nos dentes do ator, a presença deste é assustadora como um verdadeira marionete da rainha, pronta para matar. Os sete anões aqui são representados magistralmente (pela primeira vez no cinema vejo uma adaptação de Branca de Neve que não caracteriza os anões como tipos circenses). Ian McShane, Bob Hoskins, Nick Frost e outros dão vida e força aos personagens. Os cenários são lindos: sombrios e assustadores; belos e lúdicos; frios e brancos muitas vezes contrastando com um vermelho carmim deixando um efeito espetacular.

Kristen Stewart cada vez mais se destaca como atriz. Sua Branca de Neve tem paixão, melancolia, fúria, desespero, amor, saudade... com olhos muito expressivos ela compõe a personagem que é humana e o retrato da bondade e pureza sem ser exageradamente maniqueísta. O elenco de apoio é prefeito e as adaptações feitas no roteiro são inteligentíssimas, como a aldeia das mulheres que não ousam ser belas para não afrontar a rainha - uma das ideias mais belas da adaptação. 
Charlize Theron protagoniza uma excelente vilã: assustadora,
profunda e real

Enfim guardei um espaço nesta terceira parte para falar da espetacular Rainha vivida pela maravilhosa Charlize Theron. Se Charlise foi o grande "desperdício" do filme Prometheus, aqui ela entrega um papel para "indenizar" o público por mais 10 anos. Sua composição da Rainha é perfeita! Os olhos da fera são profundos, assustadores. Sua fúria é orgânica, real, marcada por um passado de dor e rejeição. Uma personagem com grande profundidade e em minha opinião o grande brilho de filme é dela. Magistral e com a elegância e crueldade necessária a Rainha assume o trono com autoridade e força como se espera de uma vilã. Dá pena da Rainha personificada pela Julia Roberts (aliás dá pena de tudo no filme ridículo do Tarsem). Além disso é uma das oportunidades de ver Charlize lindíssima talvez como nunca em sua careira! Eu já a indicaria ao Oscar do ano que vem - só não sei se de atriz ou coadjuvante tamanha a força que sua presença assume na tela.
Enfim, me apaixonei pelo filme - desde já é filmoteca básica. Quero comprar em DVD e ver de novo mas não logo, para não perder o sabor que a primeira vez me causou. Fui às lágrimas várias e várias vezes no filme. Desde a cena de abertura. Não só o visual é lindo como a sensacional trilha sonora de James Newton Howard (que vou comprar assim que encontrar). É comovente! E ao final, quando achei que deveria ter levado vários lenços para o cinema vêm a cereja do bolo - os belíssimos créditos final ao som da nova e perfeita canção da melhor banda da atualidade - Florence + the Machine. Aí o coração não aguentou. Pela primeira vez não escondi as lágrimas do público na saída de um filme. Não precisava - pelos aplausos que ouvi ao final e pelo silêncio durante toda a projeção percebi que o filme era um espetáculo tão cativante que todos compartilhávamos a mesma emoção. Nota 10,!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Florence + the Machine – Summer Soul Festival - Florianópolis 28.01.2012. (um comentário extremamente apaixonado e nem um pouco isento)


No dia 28 de janeiro de 2012 houve o Summer Soul Festival aqui em Florianópolis. As atrações da noite eram: Rox, Florence + the Machine e Bruno Mars. Fui para assistir Florence + the Machine, banda que me apaixonou quase à primeira vista. Cheguei no Summer bem cedo para conseguir uma vaga próxima das entradas o que me daria um certo conforto por ficar no carro ao invés de estar de pé até a abertura dos portões.

O que me levou ao show foi o seguinte: Há menos de uma semana do show eu nunca tinha parado para dedicar minha atenção para uma banda chamada Florence + the Machine. Confesso, preconceituoso, li de relance uma reportagem em uma revista de grande circulação (não especializada em música) e não me interessei porque geralmente este tipo de publicação só se refere a bandas “moderninhas” sem um pingo de criatividade – coisas do nível de “The Strokes” e outras que se importam mais com a moda e com os cabelos do que com a música. Imaginei que Florence + the Machine era uma coisa chatíssima e interminavelmente arrastada como a narcótica “Cat Power”.

Também achei que o show seria na casa mais conhecida do centro daqui – que, para qualquer ser humano de menos de 1,94m, fica bem difícil assistir. Logo, não me interessei pelo show - apenas lamentei que eu teria curiosidade de ver Florence ao vivo para pelo menos conhecer o estilo.

Um belo dia me deparei com o cartaz do Summer Soul Festival e quando soube que iria ser no Stage Park – o melhor lugar para se assistir a um show grande em Floripa - logo me interessei. Disse para mim mesmo: “vale a pena ir e o ingresso de pista não deve estar caro”!

No domingo anterior ao fim de semana do show resolvi então conhecer a banda – relaxei, respirei e entrei no youtube. Digitei o nome da banda e abri o primeiro clip. Veio "Rabbit Heart".

Pronto! Nunca mais minha vida será a mesma (é sério – foi mais ou menos como fiquei quando ouvi o Concrete Blonde) – um clip de altíssimo bom gosto, figurinos estilo neo-clássicos, um jardim belíssimo e no centro a Florence Welch esotérica como uma fada, um Anjo, um ser místico, mitológico. Algo que, a meu ver, definia o conceito de beleza . O vídeo plantou uma semente que rapidamente floresceu (sim, com o trocadilho!) no meu coração.

Florence é a vocalista mais bela da atualidade. NADA, mas NADA mesmo, nos dias atuais, se compara à beleza dela enquanto ser completo: é linda, tem uma voz maravilhosa, tem uma presença marcante, compõe de forma profunda e tem uma expressão corporal capaz de destruir o coração de qualquer monarca. Afrodite, Igrayne e Helena de Tróia na mesma pessoa. É a Deusa música em forma humana, um espírito que lindamente baila movendo as energias ao seu redor. Está acima do que vemos diariamente como “beleza”. Não é a beleza estética ditada pela publicidade, e sim uma alma feminina materializada. Um instrumento orgânico de produção de arte. E, claro, nada disto valeria tanto se a música não fosse, da mesma forma, lindíssima! Em seguida assisti aos clips de “What the Water Gave Me” e “No Lights, No Lights” para os quais não existe a possibilidade de atribuir nota inferior a 10,0.

Mudaram meus planos: Que pista que nada! Preparei-me para comprar o ingresso no melhor lugar – camarote VIP, afinal, está sendo oferecida uma oportunidade de estar por alguns momentos no Paraíso e eu iria me sentar no chão? Nem pensar!

Não só Florence é linda – Isabella “Machine” Summers também é belíssima – guardadas as devidas proporções, afinal, Florence é uma estrela. A música é a fusão perfeita do POP com New Age, ritmos tribais, harpas, teclados, e, claro, a lindíssima voz da Musa Florence que deixou Sarah Brightman, Enya e Loreena Mckennitt na categoria de estagiárias. O som da banda tem peso, corpo, coesão, ritmo e é doce, lírico e reflexivo. A  música  de Florence e sua Máquina não encontra rival no panorama musical atual.

Passei a semana inteira só ouvindo a banda para conhecer e saborear como um vinho raro o momento em que estaria no show.
Obs: as fotos abaixo - em péssima qualidade foram tiradas por mim (sorry) - estão aqui só para registrar o momento - lamentavelmente não sairam boas...

Vamos ao show: a abertura foi a cargo do vozeirão da ROX – mistura de Amy Winehouse com Tina Turner e Sandra de Sá. As gravadoras estão desesperadas mesmo para preencher o vazio da Amy, pois, não se conformam ter perdido a “galinha dos ovos de ouro” (com o devido respeito Amy...). Senhores produtores: o que chama atenção é algo novo! Por mais que seja bem influenciado pelo antigo. Agora querer vender por quilo algo que recém estourou só queima o estilo. E chega de ficar achando que só eram boas as divas de antigamente (concordo com o discurso do Woody Allen em “Meia-Noite em Paris).
Rox fez a abertura da noite com muito soul e pop.

Ok, foi um bom show da ROX – gostei muito da linda baixista (muito elegante) e do guitarrista e sua Fender tele com timbre claro e limpo com efeito de vibrato. Muito bom o som mesmo. Mas.....feito na Terra. Nada de divino e nada de inovador.

Ao terminar o show da ROX – tudo mudou – A equipe trouxe uma harpa no palco. A partir daí era possível perceber que o nível e o clima havia mudado. Um simples palco se tornava um santuário e algo de místico envolvia o local.
O clima no palco mudou com a entrada dos instrumentos da
Florence + the Machine

Então após um tempo a harpa começou a soar e a banda entrou no palco liderada por Isabella “the Machine” linda! Elegante! Com teclados muito característicos e únicos.

Então o espetáculo começou. Os primeiros acordes de “Only it for a Night”. Eram as trombetas que anunciavam o Anjo chegando.

E lá veio ela.

Delicada, educada, refinada, humilde, profunda, mística, esotérica...não há vocabulário capaz de descrever a pureza de Florence. Foi tão aplaudida ao surgir no palco que não conseguia conter a emoção de ver tantas pessoas enlouquecidas gritando seu nome. Ela ficou totalmente emocionada e sentia muita felicidade por ser tão querida pelo público.

Gestos doces, elegância e refinamento são as caracteristicas de
Florence Welch.

Ao terminar a primeira música os primeiros acordes de “What the water gave me” mostrou que o show não ia ser muito leve. Já era possível perceber porque afirmei acima que Florence é superior às suas colegas New Age.

 Ao meu lado tinha um trio empolgado, pulando e incomodando as pessoas com seu descontrole desproporcional à filosofa do show. Sequer prestavam atenção à perfeita execução da Minha Musa.  Mas, como “a música acalma os animais” (hehe), o alto nível da arte apresentada pela Florence foi aos poucos hipnotizando a galera e se instaurou um clima de respeito por uma cerimônia tão profunda e delicada – mesmo que tribal e pesada em muitos momentos.

Alias, é de destacar os contrastes dinâmicos da banda – o que cria um tapete perfeito para que ela use e abuse do seu perfeito vocal – afinadíssimo, intimista em certos momentos e potente e agudo como o canto de uma sereia em outros. A Rainha é gigantesca em seu talento. Não há como negar – só quem tira a espada da pedra nasceu para o trono. É alma e não vontade. E ela foi abençoada com a Majestade – ninguém mais ocupa esse lugar.
Imagens no telão que simulam vitrais - bom gosto visual.

Florence é levíssima em palco, flutua como se seu pés não tocassem o chão, toca a cabeça de cada músico passando uma aura de benção. É querida, amável e doce com todos os músicos e com a plateia. Sua humildade é tão marcante que chegou a pegar um papel que lhe foi atirado no qual estava escrito “I love you Florence” e o dobrou com imenso carinho beijando-o em seguida.

Seus gestos são mágicos. Ao reger sua orquestra ela é suave como as flores que se curvam ao doce toque do vento. Suas mãos tecem uma teia imaginária que nos envolve hipnoticamente. Um lindo transe, como se nada de mal no mundo pudesse nos atingir. É um beijo na alma estar diante de Florence. Um êxtase. A experiência do amor puro, único.

Envolta num lindíssimo manto verde azulado (creio que se chama "caftã" - não entendo de moda...) e num cenário que simula vitrais. O show é de uma elegância ímpar.

O repertório é muito bem escolhido com destaque para “Never Let Me Go”, “What The Water Gave Me", "Rabbit Heart (Raise It Up)", "No Lights No Lights"... Todas as músicas são excelentes. Só uma coisa entristece: a curta duração do show (por volta de 45 min), pois, depois de entrar no Paraíso quem quer sair?
Mesmo com carcaterísticas New Age o
show foi bastante pesado

Creio que o Criador não irá me fazer essa desfeita e tenho fé em ver, logo, logo, a Florence voltar com seu show completo.

 A pesada “No Lights, No Lights” fechou o show. Vi já com grande saudade os lindos cabelos ruivos da Elfa sumirem na escuridão do palco. O show terminou. Desci do paraíso e voltei à terra.
Com um timpre belíssimo Florence usa e abusa dos contrastes
dinâmicos nos vocais.

E depois? Bruno Mars. Quem???...Ah...um “novo Michael Jackson” que fez um show excelente! Ótimos músicos. Ele é um cara bem legal! Gente fina! Delicado e sedutor com as mulheres (um pouco brega talvez). Os músicos são engraçadíssimos – como se o Outkast encontrasse o Sly and The Family Stone. O baixista é uma figura à parte. Magérrimo e com muito swing! Não parou o tempo todo.

Mas...

Um show normal. De volta ao Planeta Terra...(snif...)

E agora....é aguardar que a gigantesca emoção de ter visto uma Fada faça raízes em minha alma e sentir essa semente da consciência crescer. A música enobrece a alma e transforma a brutalidade do ser em ternura. Processo enormemente acelerado quando tocamos uma presença divina.

Escrevi apaixonado demais? Sim! Assumo completamente! No que tange ao tipo de alma com quem quero me relacionar ela se enquadra perfeitamente. Alimenta meu espírito e estimula minha alma a evoluir.

Para aqueles que discordam, respeito e digo que se trata apenas da minha opinião.

O encontro da minha alma foi com um espírito que considero puro em termos de arte. Ela é humana? Sem dívida, mas é porta-voz de uma arte musical que veio de algum lugar do Universo. Não diziam que as musicas clássicas pareciam tocar os céus, mas, que as composições de Mozart pareciam vir de lá? Outros gênios também recebem esta capacidade do Universo Infinito. Sob minha interpretação Florence recebeu!

Florence Forever! Te amo minha Musa! A gente vai se ver em breve! Irei compor (na minha humilde mediocridade) muitas musicas para você, meu Anjo!

Nota 10,0 – em números humanos. Inexplicável e inquantificável na escala do Universo.

P.S. Ah! Prá quem não conhece vai uma dica: Se dentre os artistas abaixo você gosta de pelo menos 3 com certeza você vai curtir Florence and the Machine:

1. Concrete Blonde;

2. The Mission;

3. Cat Power;

4. Peter Gabriel;

5. Kate Bush;

6. Loreena McKennitt;

7. Enya;

8. Dido;

9. Sarah Brightman;

10. Chantal Krevizuk;

11. Siouxie and the Banshees;

Se você não conhece nenhum destes corra atrás do material – a porta da consciência cósmica pode estar aberta na forma da música e vc está aí parado – não deixe a vida passar...vá logo!

Daí Galera! Retorno às atividades depois das férias do Blog

Retornando aos comentários, grande abraço para todos que seguem o Blog e para todos os visitantes.

O objetivo do The Cacciari Connection é expressar APAIXONADAMENTE as tendencias na arte que me emocionam. Não tenho qualquer compromisso com estilo, fidelidade a estilo, nem sequer vou fazer comentários isentos - pelo contrário - aqui o negócio é botar (ou Bloggar - heheh) pra fora as emoções sentidas nas diversas experiências vividas.

Bem-vindo todos que por aqui passam. Puxem uma cadeira, tomem um cafezinho e se´preparem para concordar e/ou discordar do que falo - Vcs são meus convidados e todo debate (desde que de alto nível) será aceito por mais diametralmente oposto à minha opinião que for... Vamos lá - que venham as "Tantas Emoções" de 2012...



sábado, 31 de dezembro de 2011

Grandes amigos que curtem minhas ideias e comnetários, desejo a todos um FELIZ 2012!
O blog ficou algumas semanas sem atualizações devido à correria do fim de ano, mas, em breve voltarei com mais reflexões sobre cinema, música e as artes em geral. Beijos e Abraços para todos e que fiquem com a proteção do Grande Criador do Universo e das Entidades Que Nos Protegem. Que 2012 seja um excelente ano para todos...
A imagem abaixo foi emprestada do blog: http://oblogdasgarotasinteligentes.blogspot.com/2011/12/ultimo-post-de-2011.html
pois, ao pesquisar na Internet achei a imagem mais linda que achei. um beijão para as administradoras do referido blog - Obrigado Garotas!




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Discos que mudaram minha vida - Parte IV

Estamos aqui, mais uma vez com os discos que fizeram minha história, continuo com a árdua e prazerosa tarefa a seguir:
31.      Guns n’ Roses – Apetitte for Destruction:

Do Guns não tem como escolher outro disco. Quebrou estruturas mesmo, mudou toda uma geração. Junto com o disco do Nirvana são clássicos dos 90. Appetitte for Destruction mostrou como se faz rock com pulsação, sangue, suor, álcool e raça (e umas "coisinhas" mais). Todos foram influenciados pelo Guns depois disso. O Rock voltou a ter solos de guitarra com musicalidade.

32.      Red Hot Chili Peppers – Mother’s Milk:

O Red Hot demorou para estourar no Brasil (e no mundo). e tanbém desconstruiu o hard rock mesclando-o com o funk. Os pirados saltitantes liderados pelo Flea já conquistaram seu lugar na História. Porém, antes do disco que os projetou, o pesado "Blood Sugar Sex Magic", eles tinham lançado sua obra-prima. Desfiador! Novo! Criativo! Diferente! Não tem como deixar de atruibuir 5 estrelas ao espetacular "Mother's Milk".

33.      Bauhaus – Mask:

O Brasil estava separado do mundo pelo boqueio das importações. Ninguém tinha noção da revolução musical que acontecendo na Inglaterra. Asisti na época a um filme chamado "Fome de Viver" com David Bowie e Catherine Deneuve e dirigido por Tony Scott (nada menos do que irmão de Ridley Scott). A abertura mostrava uma banda muito inovadora. Eu nunca tinha visto nada parecido. Decadas se passaram e o Bauhaus continua uma das bandas mais criativas que conheço. Mask é a porrada mais forte da banda!

34.      The Clash – London Calling:

Voltando um pouco no tempo... a música sofreu uma revolução no meio dos anos 70. Atualmente estou re-pesquisando esta banda que foi importantíssima influenciando toda uma geração. Atualmente até a primeira dama Carla Bruni se confessou fã dos caras. Ou seja, o Clash conquista qualquer um que goste de música criativa, independentemente de preferência por gênero. London Calling misturou ska, reggae, pop, funk, punk e este coquetel de estilos é a grande obra-prima deles.

35.      Midnight Oil – Diesel and Dust:

Bem mais tarde saiu no Brasil um disco de uma banda australiana que já era antiga - e por isso está listada aqui antes de outras que também são importantes. Aqui o Midnight Oil estourou com um disco tardio, mas igualmente relevante... Diesel and Dust tem belas melodias e o vocal esquizofrênico do Peter Garret, sempre carismático, no comando da banda...

36.      Simple Minds – Once Upon a Time:

Simple Minds foi outra banda que tinha uma carreira respeitável antes de estourar no Brasil. Como acontece às vezes, a moda alcançou esta genial banda escocesa. Por um acaso, chegaram aqui na hora certa. Seu melhor disco é o álbum "Once Upon a Time". Em seguida fariam o superhit "Don't You Forget About Me" (que não entrou no álbum). É praticamente impossível melhorar esse disco. Somente se "Don't you.." estivesse nele.

37.      U2 – The Unforgettable Fire:

Meados de 1985.O Rock in Rio I tinha abalado totalmente as estruturas do Brasil. As fronteiras foram abertas...porém o planeta também abria seus braços para uma nova concepção política - amparar os países do 3º mundo e influir nas ditaduras africanas. A paz e o amor deveriam vencer novamente. Com um protesto ao massacre dos cristãos pelos protestantes na Irlanda (Sunday Bloody Sunday) uma banda se insurge e, em pleno Live Aid, apresenta ao mundo um novo estilo de música e comportamento. Os próximos 10 anos seriam banhados pelo estilo neo-psicodélico e até hoje o U2 mantém hasteada a bandeira de uma das maiores bandas do mundo. Naquela época estava sendo lançado “The Unforgettable Fire” – disco que me marcou pela beleza das melodias, especialmente a faixa-título, “Bad” e “Pride (In the Name of Love)". Impossível para quem viveu esta época não se emocionar quando Bono a dedica a Martin Luther King....perfeito! Sem falar na belíssima capa.


38. INXS – Listen Like Thieves:


INXS sempre foi uma banda que curti muito. Estilo próprio, pop bem tocado, baixo e bateria com alto entrosamento, proposta original e, principalmente, um grande vocalista. Michael Hutchence não só tem uma grande voz, mas uma presença de palco que não deixa niguém parado. O melhor disco na minha opinião é o anterior ao "Kick". "Listen Like Thieves" é original, Pop, Adulto e o mais importante: maduro. O INXS estava pronto para atingir o mundo!

39. Duran Duran – Arena:




Ok entendo que hoje, após a retomada do Heavy - com Metallica e Pantera, o new wave perdeu a força, mas, prá quem curtiu aquela época, era impossível não se emocionar ao ouvir o álbum ao vivo do Duran Duran - Arena. Ótimo disco que antecedeu ao lançamento do VHS no Brasil - na época em que não era possível comprar as fitas, só alugá-las. Duran Duran, junto com o visionário diretor de clips Russel Mulcahy (que dirigiu o filme "Highlander") criou toda uma concepção artísitca que extrapolava a simples música. Os videoclips estvam virando uma forma de arte.

40 R.E.M. – Fables of the Reconstruction of the Fables...:





Ao retornar das minhas férias em Floripa - cheguei em Sanra Maria e, pela primeira vez em minha vida, não fui para nossa casa antiga, pois, a havíamos vendido. Cheguei e fui prá noite. No outro dia quando acordei - meu irmão estava ouvindo um disco de manhã. Os intervalos dissonantes, estranhos, conflitantes, mas ao mesmo tempo libertos das formas musicais conhecidas, encheram minha cabeça com uma nova concepção sonora. Compus, anos mais tarde uma música inspirada em "Feeling Gravity's Pull" do R.E.M (do álbum "Fables of the Reconstruction" - ou "Reconstruction of the Fables"). Desde esse dia a banda entrou na miinha lista de favoritas..

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Discos que mudaram minha vida - parte III

Então tá galera, vamos lá com mais 10 discos que mudaram minha vida: 


21.      Kansas – Leftoverture:



O Rock Progressivo produzido nos Estados Unidos alcança sua máxima expressão no Kansas. Com estilo próprio que mistura grandes navegações, profetas e apaches, o sexteto encontra seu ápice no álbum "Leftoverture". "Carry on Wayward Son" foi recentemente homenageada no seriado "South Park" como sendo o nível máximo de perfeição técnica no "guitar hero", ou seja, as músicas do Kansas são extremamente bem exceutadas. O álbum tem composições de primeira linha e, assim como o Triumph, o Kansas contava com dois vocalistas principais Robby Steinhardt e Steve Walsh, o que confere à banda um colorido especial nos vocais.

22.      Iron Maiden – The Number of the Beast:



Em meados dos anos 80 a “New Wave”, estilo que estava se popularizando à época, se choca com um rochedo. Um novo estilo iria dividir o mercado com os Playboys Modernos. As influências da “Hammer films”, o misticismo do Black Sabbath, as capas do Derek Riggs e a influência de bandas como Judas Priest, UFO e Thin Lizzy eclodiram com o álbum do Iron Maiden "The Number of the Beast". Pronto! Nunca mais a juventude seria a mesma. A partir daí usar uma camiseta da sua banda significaria: “tenho escolha, estilo e pertenço à minha tribo”. O Heavy Metal tinha tomado de assalto o mundo.

23.      Van Halen: Van Halen.



No final dos anos 70 um moleque resolveu aplicar toda sua criatividade e inventividade na guitarra. Elevou então o instrumento à categoria da perfeição! A guitarra, até então amada e seduzida por Jimi Hendrix e aliciada delicadamente por Clapton e Beck, foi torcida, distorcida, destruída e remontada por este Dr. Frankenstein holandês. Toda uma geração foi influenciada pelo Doctor Van Halen e até hoje o solo “Eruption” é matéria-prima básica para qualquer guitarrista que queira se firmar como virtuose.

24.        Journey – Escape:

Algumas bandas fizeram um estilo conhecido como “Arena-Pop” nos anos 70. Um grande exemplo é o “Journey”. O álbum "Escape" lançou o sucesso “Don't stop Believin'”. Amplamente usada em filmes atualmente pela sua perfeita estrutura, esta música é quase um hino da década de 80. A linda voz de Steve Perry e as guitarras cortantes, melódicas e glamourosas de Neal Schon contornam o hit que adquire força e coesão gigantesca. Discaço!

25.      Foreigner – Head Games:


Ouvi muito este disco do Foreigner. Eles de fato se tornaram conhecidos pela música "I Wanna Know What Love is" atualmente relançada na voz da veterana Mariah Carey. Porém, o disco que me fez conhecer o Foreigner foi “Head Games”. Outro representante do Arena-Pop de alta qualidade, a banda, cujo vocalista Lou Gramm mostra uma voz de tirar o chapéu, aqui já apresentava o estilo que mais tarde seria lapidado e aperfeiçoado. Head Games ainda mantém a essência primitiva do sexteto. Fundamental ouvir a música-título num sábado à tarde chegando na praia.

26.      Asia – Asia:



A propaganda de cigarros Hollywood da época já anunciava o novo estilo. O Pop iria se unir com o rock progressivo no grupo Asia. A magnífica “Only Time Will Tell” com seus teclados épicos virou a cabeça da galera. Minha favorita é "Heat of the Moment”. O vozeirão de John Wetton casou perfeitamente com as guitarras do mestre Steve Howe, os teclados de Geoff Downes e com a bateria de Carl Palmer. Disco para ouvir a vida inteira. Quem disse que não se deve viver no passado?

27.      Cheap Trick – Dream Police:


Ok, o Cheap Trick não é muito conhecido por aqui. Mas no início dos anos 80 as lojas receberam um lote de ponta de estoque em promoção da gravadora Epic e incluía “Dream Police”. Pelo preço este foi um dos discos que comprei sem conhecer a banda. Pra dizer a verdade não gostei muito nas primeiras audições, mas, hoje ouço com carinho lembrando aquela época em que não tinha quase nada nas lojas e tínhamos que garimpar a fundo para achar algum material que fizesse os falantes das caixas de som pular...

28.      Metallica – Master of Puppets:


Muitas bandas de metal surgiram depois do Iron Maiden, mas, houve uma galera que radicalizou e, com influências da brutalidade do Motorhead, criaram gêneros como Thrash Metal, Death Metal e outros. Paralelamente ao pop que iria explodir após o Live Aid, o Metallica era uma das expressões que mostravam o que estava por vir nos anos 90. Master of Puppets era a grande obra que consolidava o estilo do supergrupo.

29.      Queensrÿche – Rage for Order:

Queensrÿche é uma das minhas bandas favoritas. Acompanhei desde o lançamento do 1º LP (The Warning) no Brasil. Eles estiveram no Rock in Rio II com o lançamento do épico "Empire" - porém, anos antes eu já havia escolhido o 2º disco dos caras como o "melhor disco de heavy metal em termos de criatividade em arranjos". Rage for Order” é nota 10! Tudo é perfeito. Dificilmente encontramos arranjos tão elaborados assim em um disco de Heavy Metal. Destaque para “Gonna Get Close To You” absolutamente inovadora.

30.      Europe – Uut of This World:


Quando todos pensavam que o "Heavy Metal cabeleira" tinha sido extinto, surge uma banda da Suécia, retornando ao estilo com extrema competência. Os guitarristas do Europe fizeram muita gente voltar a estudar as escalas hipervelozes de Steve Vai e Paul Gilbert. O metal tinha um representante temporão – “The Final Contdown” pode ser o disco emblemático deles, mas, um dos solos de guitarra mais lindos e perfeitos que já ouvi em minha vida (e “tento” tocar até hoje) é da música “Supersticious” do álbum "Out of This World". O resto do álbum? No mesmo estilo e mantendo o alto nível. Nunca a virtuose foi tão bem utilizada - nota 10!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Casa das Máquinas: o rock tradicional paulista "estremece" o John Bull em Florianópolis.


Casa das máquinas – 11 11 2011 – John Bull



A sexta feira 11 de 11 de 11 teve intensa atividade musical simultânea em Porto Alegre, Santa Maria e Florianópolis, 3 cidades muito importantes para mim. O Pearl Jam se apresentou em Porto Alegre. Pylla Magrão e Nazareth tocaram em Santa Maria. Eu concluí as demos do meu CD e pra continuar a noite me estendi ao John Bull para assistir a uma banda que queria ver desde minha adolescência. Trata-se do quinteto “Casa das Máquinas”. Eu sequer imaginava que iria ver os caras, quanto mais imaginar que eles estavam em turnê. Ao saber da notícia agendei minha noite e, logo após abrir a casa lá estava eu, pronto para retornar aos anos 70 e saborear a essência musical daquela época.

O Casa das Máquinas está renovado. Nunca vi a banda anteriormente e temos pouco material circulando na internet, logo, não sabia quem eram os músicos.

O show começou detonando rock bem pesado ao estilo anos 70, bem da essência da banda. O guitarrista, Leonardo Testoni, da nova geração demonstrou uma coerência muito grande ao unir solos com alto teor de virtuose e “feeling” do rock setentista. Grande pegada do Músico.

O vocalista João Luiz, muito carismático, manteve a tradição rockeira do rock de São Paulo e segurou as pontas por 1h e 30 de rock pesado.

O baixista Fábio César tocou todas as músicas com muita desenvoltura e tirou um som forte e musical de seu instrumento. Deixou o público satisfeito com a maturidade com que apresenta os clássicos do Casa.


Mas o destaque fica sem dúvida para os dois integrantes originais o tecladista Mario Testoni e o baterista Mario Tomaz ambos com aquela pegada de quem já toca rock há muitas décadas. Quem cresceu ouvindo Sabbath, Led, Uriah Heep e, claro, principalmente Deep Purple - que o tecladista fez questão de homenagear com vários temas em seu solo – percebeu que a banda trouxe os velhos (e bons) tempos ao palco.

Em mais ou menos 1h e 30 de show o Casa brindou os fãs com o repertório essencial do grupo, destaque para as belíssimas “Lar de maravilhas”, “Vou morar no ar” e “Casa de rock” –  esta última um verdadeiro hino do rock paulista que há muitos anos queria ver ser executada ao vivo. Emoção pura! Ao final do show todos saíram com vontade de ver o concerto mais uma vez.

Saí do John Bull com a sensação de que o sonho dos 70 se mantém vivo. Lembrei da época em que o material relativo ás bandas era escasso, os LPs, fora de catálogo, o Casa então, era vendido a peso de ouro, Bandas como “o Terço”, “Mutantes”, “O Som Nosso de Cada dia”, “Peso”, “Joelho de Porco” eram quase impossíveis de se achar. Não existia nada disponível no mercado e a Internet não estava aí para nos socorrer. Não podíamos ouvir dezenas e dezenas de grupos por dia. Por isso curtíamos o som degustando cada nota, cada batida, cada letra. E se hoje, de vez em quando paro com os vídeos, com a internet, desligo a luz do quarto e me concentro somente em ouvir (sem ser bombardeado pelas imagens dos vídeo-clipes) concentrado 2 ou 3 horas de música foi por que minha geração foi educada como bandas como o Casa que mantinha o alto nível de composição, mesmo enquanto as novelas massacravam discoteca toda hora.

Longa vida ao rock’n roll – e que a Casa do Rock esteja sempre aberta para quem realmente sabe apreciar a boa música, pois, estes, realmente merecem entrar na casa e ir morar no ar.

Nota 8,0.