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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Discos que mudaram minha vida - Parte IV

Estamos aqui, mais uma vez com os discos que fizeram minha história, continuo com a árdua e prazerosa tarefa a seguir:
31.      Guns n’ Roses – Apetitte for Destruction:

Do Guns não tem como escolher outro disco. Quebrou estruturas mesmo, mudou toda uma geração. Junto com o disco do Nirvana são clássicos dos 90. Appetitte for Destruction mostrou como se faz rock com pulsação, sangue, suor, álcool e raça (e umas "coisinhas" mais). Todos foram influenciados pelo Guns depois disso. O Rock voltou a ter solos de guitarra com musicalidade.

32.      Red Hot Chili Peppers – Mother’s Milk:

O Red Hot demorou para estourar no Brasil (e no mundo). e tanbém desconstruiu o hard rock mesclando-o com o funk. Os pirados saltitantes liderados pelo Flea já conquistaram seu lugar na História. Porém, antes do disco que os projetou, o pesado "Blood Sugar Sex Magic", eles tinham lançado sua obra-prima. Desfiador! Novo! Criativo! Diferente! Não tem como deixar de atruibuir 5 estrelas ao espetacular "Mother's Milk".

33.      Bauhaus – Mask:

O Brasil estava separado do mundo pelo boqueio das importações. Ninguém tinha noção da revolução musical que acontecendo na Inglaterra. Asisti na época a um filme chamado "Fome de Viver" com David Bowie e Catherine Deneuve e dirigido por Tony Scott (nada menos do que irmão de Ridley Scott). A abertura mostrava uma banda muito inovadora. Eu nunca tinha visto nada parecido. Decadas se passaram e o Bauhaus continua uma das bandas mais criativas que conheço. Mask é a porrada mais forte da banda!

34.      The Clash – London Calling:

Voltando um pouco no tempo... a música sofreu uma revolução no meio dos anos 70. Atualmente estou re-pesquisando esta banda que foi importantíssima influenciando toda uma geração. Atualmente até a primeira dama Carla Bruni se confessou fã dos caras. Ou seja, o Clash conquista qualquer um que goste de música criativa, independentemente de preferência por gênero. London Calling misturou ska, reggae, pop, funk, punk e este coquetel de estilos é a grande obra-prima deles.

35.      Midnight Oil – Diesel and Dust:

Bem mais tarde saiu no Brasil um disco de uma banda australiana que já era antiga - e por isso está listada aqui antes de outras que também são importantes. Aqui o Midnight Oil estourou com um disco tardio, mas igualmente relevante... Diesel and Dust tem belas melodias e o vocal esquizofrênico do Peter Garret, sempre carismático, no comando da banda...

36.      Simple Minds – Once Upon a Time:

Simple Minds foi outra banda que tinha uma carreira respeitável antes de estourar no Brasil. Como acontece às vezes, a moda alcançou esta genial banda escocesa. Por um acaso, chegaram aqui na hora certa. Seu melhor disco é o álbum "Once Upon a Time". Em seguida fariam o superhit "Don't You Forget About Me" (que não entrou no álbum). É praticamente impossível melhorar esse disco. Somente se "Don't you.." estivesse nele.

37.      U2 – The Unforgettable Fire:

Meados de 1985.O Rock in Rio I tinha abalado totalmente as estruturas do Brasil. As fronteiras foram abertas...porém o planeta também abria seus braços para uma nova concepção política - amparar os países do 3º mundo e influir nas ditaduras africanas. A paz e o amor deveriam vencer novamente. Com um protesto ao massacre dos cristãos pelos protestantes na Irlanda (Sunday Bloody Sunday) uma banda se insurge e, em pleno Live Aid, apresenta ao mundo um novo estilo de música e comportamento. Os próximos 10 anos seriam banhados pelo estilo neo-psicodélico e até hoje o U2 mantém hasteada a bandeira de uma das maiores bandas do mundo. Naquela época estava sendo lançado “The Unforgettable Fire” – disco que me marcou pela beleza das melodias, especialmente a faixa-título, “Bad” e “Pride (In the Name of Love)". Impossível para quem viveu esta época não se emocionar quando Bono a dedica a Martin Luther King....perfeito! Sem falar na belíssima capa.


38. INXS – Listen Like Thieves:


INXS sempre foi uma banda que curti muito. Estilo próprio, pop bem tocado, baixo e bateria com alto entrosamento, proposta original e, principalmente, um grande vocalista. Michael Hutchence não só tem uma grande voz, mas uma presença de palco que não deixa niguém parado. O melhor disco na minha opinião é o anterior ao "Kick". "Listen Like Thieves" é original, Pop, Adulto e o mais importante: maduro. O INXS estava pronto para atingir o mundo!

39. Duran Duran – Arena:




Ok entendo que hoje, após a retomada do Heavy - com Metallica e Pantera, o new wave perdeu a força, mas, prá quem curtiu aquela época, era impossível não se emocionar ao ouvir o álbum ao vivo do Duran Duran - Arena. Ótimo disco que antecedeu ao lançamento do VHS no Brasil - na época em que não era possível comprar as fitas, só alugá-las. Duran Duran, junto com o visionário diretor de clips Russel Mulcahy (que dirigiu o filme "Highlander") criou toda uma concepção artísitca que extrapolava a simples música. Os videoclips estvam virando uma forma de arte.

40 R.E.M. – Fables of the Reconstruction of the Fables...:





Ao retornar das minhas férias em Floripa - cheguei em Sanra Maria e, pela primeira vez em minha vida, não fui para nossa casa antiga, pois, a havíamos vendido. Cheguei e fui prá noite. No outro dia quando acordei - meu irmão estava ouvindo um disco de manhã. Os intervalos dissonantes, estranhos, conflitantes, mas ao mesmo tempo libertos das formas musicais conhecidas, encheram minha cabeça com uma nova concepção sonora. Compus, anos mais tarde uma música inspirada em "Feeling Gravity's Pull" do R.E.M (do álbum "Fables of the Reconstruction" - ou "Reconstruction of the Fables"). Desde esse dia a banda entrou na miinha lista de favoritas..

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Siouxie and the Banshees - Nocturne: delírio hipnótico embalado por mantras psicodélicos.


Estava eu há alguns dias no maior aconchego do meu quarto reorganizando minha coleção de DVDs e o que encontrei? Um raríssimo show que comprei este ano em Buenos Aires. Acreditem: consegui uma ponta de estoque, em uma loja, do show "Nocturne" do grupo “Siouxie and the Banshees”.


Desde 1987 que eu queria ver esse show na íntegra e ainda não tinha tido a oportunidade. Assisti ao show e não resisti a fazer o seguinte comentário (originariamente publicado no Facebook e revisado para esta publicação):

Nos meados dos anos 80, aqui no Brasil, o público, cansado da superexposição do “Heavy Metal” que ocorreu após os shows realizados aqui pelo “Van Halen” e pelo evento “Rock In Rio I” voltou sua atenção para a onda britânica musical que tinha sido revelada com a apresentação do U2 no “Live Aid”. O novo estilo foi batizado de “Neo Psicodélico”. Uma derivação natural do Punk, com influências góticas e eletrônicas somadas ao Pop e algumas coisas que lembravam Kraftwerk e Gary Numan.

Tal estilo não surgiu na referida época, já vinha derivando do movimento Punk. E as manifestações que começaram a ocorrer após a estética Punk. O movimento recebeu o título – evidente - de "Pós-punk". Uma dessas derivações foi a fusão do Pós-Punk com ecos de melancolia. Surge então o “Pós-punk Gótico”, que cito como principais representantes o “Bauhaus” e “Siouxie and the Banshees” (banda de onde mais tarde iria sair o introspectivo Robert Smith fundador do “The Cure”).

Saliento que o pós-punk gótico não veio após os “New Heavies” (ou NWOBHM) e, sim, cresceu paralelamente a esse estilo. O que houve foi que o público brasileiro é que direcionou suas atenções para esse gênero. O surgimento do "Pós-Punk" é mais antigo - do final da década de 70.
Continuando, esta atenção do público nacional ao refrido estilo rendeu frutos como as bandas “Legião Urbana”, "Plebe Rude", “Zero”, e outras um pouco mais melancólicas do que os “Kid Abelhas” da vida...(não há conotação pejorativa nesta afirmativa. Destaco que sou fã incondicional do Kid Abelha – na fase “educação Sentimental”. Este comentário serve apenas para contextualizar o surgimento das bandas).

Pois bem, este estilo musical, hoje fossilizado nos anais da historia dos anos 80 (ignorado pelas novas gerações) se notabilizou pelas melodias sem regramento harmônico, longos efeitos de echo, flanger, chorus, ruídos,  cacofonias, microfonias e acidentes sonoros que perturbassem a mente do ouvinte.

É exatamente isso o que encontrei no show "Nocturne" da banda sui generis "Siouxie and the Banshees".

Com estilo único, extremo carisma da vocalista Siouxie Sioux e uma cozinha de fazer inveja a qualquer “Good Charlotte” que se diga “deprê”, o “Siouxie” é uma forte expressão na corrente musical citada.

O Baterista (com "B" maiúsculo mesmo) extremamente profissional e criativo Budgie (marido da Siouxie), o extraordinário baixista Steve Severin e Robert Smith, nas guitarras, completam o formação  em grande estilo.

A banda leva o Royal Albert Hall à hipnose completa em um espetáculo de luzes e sons absolutamente delirante. A voz de Siouxie parece entoar mantras que induzem o ouvinte a uma atmosfera que mescla a destruição da arte gótica pela urbanidade "noise" do final de década de 70 e da década de 80.

O show cresce em luzes com presença cênica da líder do grupo que demonstra uma expressão corporal muito intensa.

Bombástico é o final da experiência onde as microfonias de Robert Smith são enterradas vivas pela cortina de fumaça e luzes que fecha o espetáculo.

O ruído fica na cabeça e nos ouvidos, quase tão alto como a saudade daqueles tempos em que a música era mais uma filosofia de expressão artística completando a personalidade do compositor do que nos dias atuais, em que tudo é tão polido, tão processado, profissional, “preset”, não deixando qualquer espaço para algo diferente, quebrado, inovador, orgânico.

Quem viveu lembra com saudade. Quem não viveu dificilmente vai entender a filosofia daquela época anárquica, uma vez que não ficou gravada no inconsciente coletivo como ficou a geração “Hippie”.

Nos anos seguintes o grupo “Siouxie and the Banshees” lançou seu álbum mais famoso, o genial “Tinderbox” e estourou com o sucesso “Cities in dust”. O álbum, mais adocicado, mais suave, mas mantendo complexidade de arranjos, é um trabalho diferente do impacto visceral apresentado aqui, porém, serviu para ativar a vendagem de discos da banda.
Tinderbox - sucesso comercial nos anos 80.

Entretanto, como o estilo do grupo não era direcionado às grandes massas, como no caso do U2, após “Tinderbox” a banda se enclausurou sendo apreciada apenas pelos verdadeiros fãs, estes sim (grupo no qual me incluo) têm o privilégio de buscar e conhecer o material que até hoje eles têm produzido. Saleinto que o grupo “Siouxie and the Banshees” hoje produz um tipo de música mais difícil, intrincada e cacofônica ainda. Para poucos.

Aos que se interessarem pelo estilo, quando se depararem com o DVD “Nocturne”, vale comprar, certamente. Para quem não conhece, é possível assistir no YouTube (há bons trechos disponíveis).

Quem viveu a época achará ótimo para matar a saudade. Para quem não conhece é uma grande oportunidade de conhecer uma das bandas mais significativas do "Pós-punk" devido à pureza de seu estilo.

Nota 10,0 sem dúvida.