segunda-feira, 14 de novembro de 2011

LARANJA MECÂNICA: a violência inerente ao ser humano na sinfonia visual de Stanley Kubrick.

É difícil escrever qualquer comentário sobre Laranja Mecânica, por vários motivos: primeiro, considero o melhor filme da historia do cinema. Tenho predileção absoluta pela obra e considero Stanley Kubrick o melhor diretor de todos os tempos – com infinita vantagem sobre todos os outros. Isto, por si só, já retira dos meus comentários a isenção e a frieza necessárias para que o presente comentário seja considerado uma crítica. Bem, não me considero um crítico no sentido literal da palavra, mas, um comentarista, uma vez que me permito acrescentar elementos da minha subjetividade e gosto pessoal aos comentários que elaboro.

O segundo motivo é que “Laranja Mecânica” é uma obra tão complexa, tão cheia de significados, questionamentos, interpretações... que um comentário, por mais extenso que seja, jamais irá abordar todos os aspectos que o filme contém. Então, creio que preciso escrever tantos comentários quantas forem as reflexões que o filme me desperta. Retirando das minhas costas a responsabilidade de escrever um comentário único e definitivo sobre o filme, me sinto mais confortável para analisar a obra do Sr. Kubrick e do escritor Anthony Burgess.

Este comentário me foi “encomendado” pelo meu antigo amigo e companheiro de banda Fuga Pylla Kroth, que ao solicitar a matéria me criou a dualidade – fiquei feliz de ter a honra de comentar meu filme favorito, mas, paralisado com a responsabilidade de escrever estas linhas. Uma composição minha na banda Fuga homenageava o filme, logo, Pylla é uma das pessoas mais recomendadas para solicitar este texto. Bem, o comentário está aqui Magro Pylla!
Scanner do meu próprio exemplar
Primeiramente o livro: li várias vezes Laranja Mecânica e creio que vou ainda ler muitas vezes mais. Noticias relatam que a obra partiu de um caso verídico no qual a esposa do escritor Burgess realmente foi atacada e estuprada. Tal fato mexeu com as ideias do escritor que buscou exorcizar no papel suas angústias. E com isto o Estado levou sua parcela de culpa.

Sobre o filme – é interessante adentrar nos fatores histórico-sociais da época. No Brasil o regime militar impôs uma dura censura às atividades intelectuais. Faço um paralelo com o personagem do Henfil das histórias do gibi “Fradim”. Tratava-se de um padre que, como forma de se opor ao controle de pensamento, praticava condutas politicamente incorretas e maldades imperdoáveis. Era a forma que Henfil achou para questionar o controle ideológico mascarado pelos detentores do poder de: bom gosto, educação e ética. O “Baixim” do gibi do Henfil é outro personagem semelhante ao protagonista de Laranja Mecânica.
Baixim, do Henfil, outro grande contestador.

O filme teve sua exibição proibida no Brasil desde seu lançamento até o final de1978 época em que o regime militar soltava as amarras da censura e permitia a entrada de vários filmes no Brasil (como exemplo: Último Tango em Paris, Emanuelle, Decameron...).

Porém um aspecto importante é que para não haver uma total liberação do filme, os censores liberaram Laranja Mecânica com bolas pretas que tapavam os genitais expostos na tela. Tal atitude demonstrou o desconhecimento estético-filosófico dos censores, pois, a profundidade e a contundência da obra se dá ao nível das ideias e não da obscenidade sexual. Na mente dos censores a “indecência” do filme era mostrar pelos pubianos e não a crítica social, comportamental e política que ali estava.

Não vejo problemas em citar a história, haja vista que muitos já assistiram ao filme (CASO VOCÊ, LEITOR, NÃO TENHA ASSISTIDO AO FILME PULE ESTE PARÁGRAFO): Alex, adolescente mimado exercita sua perversidade ingerindo drogas estimulantes e saindo com seus amigos para linchar, violentar e roubar as pessoas que, ao acaso cruzam sua frente. Alex é tão desprezível que ao despertar antipatia dos próprios amigos eles lhe armam uma emboscada na qual o protagonista é preso. Na cadeia, visando reduzir sua pena, Alex aceita se submeter ao “Tratamento Ludovico”, uma técnica na qual seus impulsos agressivos são obstaculizados pela reação de dor física e náuseas causados por medicamentos enquanto Alex é submetido a exposição de cenas de violência. Intensamente maltratado, o corpo de Alex passa a reprimir seus instintos violentos e sexuais. Devolvido à sociedade, teoricamente “curado”, Alex se encontra tão indefeso que sofre vinganças brutais ao se reencontrar com suas vítimas. Todas demonstram serem seres humanos capazes da mesma brutalidade que o protagonista. Renegado pela família e intensamente agredido Alex passa ser porta voz do governo, criticado pelo programa de reabilitação ao qual Alex foi submetido. E assim, Alex é utilizado para servir à propaganda política e, com o tempo, é retirado o manto que coíbe seus instintos violentos, fazendo renascer, ainda que em sua mente, seus talentos inatos.

Enquanto ideia, Laranja Mecânica discute em profundidade a violência existente no “Id” que Freud afirmava existir em cada um de nós. Tais instintos seriam amplamente manifestados caso não fossem coibidos pela empatia e pelos padrões sociais. Os personagens agredidos por Alex são implacáveis em sua vingança e, por óbvio, todos nós entendemos que Alex é merecedor do castigo. Essa abordagem questiona, na realidade quem somos nós e, até que ponto e intensidade o castigo é realmente para punir o agressor e prevenir a futura conduta ou se no fundo estamos apenas buscando motivos para exercitar nossa violência além do limite necessário, sob a alegação de “defesa da moral e dos bons costumes”....

Enquanto filme, Laranja Mecânica é perfeito! Tecnicamente Kubrick está muito acima de qualquer outro diretor que vi. Destaco várias cenas (é difícil não destacar o filme inteiro, mas, vamos lá): a belíssima tomada em azul (estandarte do filme) no linchamento do bêbado sob a ponte; a magnífica cena do assassinato da dama dos gatos alternando a escultura do pênis e a pintura das bocas; a surra que Alex dá nos amigos em câmara lenta; O Tratamento “Ludovico”  em si; o teste pelo qual Alex passa no palco para se mostrar recuperado... Laranja mecânica é uma experiência visual e sonora de intenso grau de perturbação, mas recomendada apenas para quem tem estômago para aguentar a brutalidade grandiloquente e satírica estampada na tela.
Alex e seus "drugues" se preparam para a "velha Ultraviolência" 

A deformação visual do filme se deve ao fato de ser narrado em primeira pessoa. É como se o espectador, narcotizado pela substância “moloko” visse o mundo pelos olhos de Alex, ou como seus íntimos confidentes. A isto se deve o visual vertiginoso da película.
Alex, prestes a aplicar um "corretivo" na gangue

A música também merece destaque: a trilha sonora composta pelo genial e inovador Walter Carlos (hoje Wendy Carlos – após se submeter à cirurgia para troca de sexo), confere à obra a atmosfera necessária como se o espectador, sob alucinação, convertesse as belíssimas obras clássicas em sons eletrônicos.

A música original de Walter Carlos
Enfim, como dito acima, este é o primeiro de uma série de ensaio que pretendo fazer sobre aquela que parar mim é a obra máxima do cinema. Impossível abordar todos os pontos e sutilezas do filme em um único comentário. O filme se presta a todos os tipos de análises, tamanha sua complexidade e detalhamento.

Homenageei Laranja Mecânica em uma das minhas composições musicais (claro, ressalvada a mediocridade da minha composição em comparação à genialidade de Kubrick e Burgess). Laranja Mecânica sempre será muito presente em minha vida, não por me identificar com Alex - acho abominável seu comportamento - mas pela estética e a profundidade do estudo do comportamento humano constantes na obra.
A "conversão" de Alex em um "cidadão-modelo".

Minha vida foi profundamente marcada quando, ao final de 1978, o jornal da 22h da Globo veiculou uma cena do filme: aquela em que a gangue de Alex adentra ao leite-bar Korova após estuprar e esposa do escritor. Nesta cena Alex agride Dim. A estética me marcou intensamente. Percebi no ato que se tratava de uma obra de vanguarda, revolucionária. A partir daí coleciono tudo relativo ao filme. Laranja mecânica compõe uma parte importante da minha personalidade intelectual. Enquanto eu estiver vivo (e talvez até depois) vou repetidas vezes voltar a mergulhar no pesadelo dos senhores Kubrick e Burgess, com prazer. E com certeza cada vez retornarei com mais e mais ideias e reflexões, pois, a cada repetição uma nova “lavagem cerebral” ativa novos caminhos na minha mente.

Não há nota possível para o filme, 10 é apenas um número, reducionista em vista da perfeição. O infinito é o limite. Talvez aí seja possível quantificar a Laranja Mecânica – com ou sem bolas pretas.

  

domingo, 6 de novembro de 2011

Evanescence: Amy Lee e sua banda chegam ao terceiro álbum em inquestionável maturidade.

Evanescence – Evanescence.

Há alguns anos fui ao cinema assistir ao filme “Demolidor” com Ben Affleck e Jennifer Garner. Confesso que nunca fui fã do Demolidor, mas da Elektra sou grande admirador – as duas melhores “graphic novel” que já li são as espetaculares “Ronin” e “Elektra - assassina” ambas roteirizadas pelo Frank Miller e a segunda ilustrada pelo assombroso “Bill Sienciewicz”. Curioso para ver o que iam fazer com a Elektra na tela assisti ao filme e, ao final da projeção fui brindado por uma música lindíssima que terminava o filme marcada por um vocal feminino de uma beleza arrebatadora. Que grupo seria aquele?

Dias mais tarde descobri que se tratava do quinteto americano Evanescence liderado pela Princesa Gothic-New Age Amy Lee. A música a trilha do “Demolidor” era “Bring me to life”. Comprei o disco e não teve mais volta. Me apaixonei perdidamente pelo Evanescence. Uma das mais perfeitas músicas Pop Metal que já ouvi foi a perfeita “Going Under”. Em êxtase completo assisti ao show deles em Porto Alegre em 17 de abril de 2007, confesso que poucas vezes delirei tanto em um show.




OK, vamos lá, sou fã declarado do Evanescence e agora, quando vi a performance deles (ou melhor, dela, e banda) no Rock In Rio fiquei impressionado com as novas músicas marcadas por uma maturidade inquestionável. Trata-se do terceiro álbum do Evanescence lançado por uma gravadora "major" e o estilo da banda está mais definido.

Encomendei o disco e demorou para chegar, não sei se já foi lançado no Brasil. Recebi o cd (claro, comprei a edição de luxo com DVD) e estou cada vez mais impressionado com a qualidade do som.

Amy Lee está cada vez melhor (e mais linda – é só ver as fotos abaixo). O disco é fortíssimo . As guitarras apresentam alto peso e definição (quero comprar uma distorção dessas – o que será que eles usam?). As bases são absurdamente bem executadas e o vocal da srta. Lee está lindo, profundo, pesado, altíssimo e impecável e descreve melodias complexas com refrãos inesperados.




Os pianos estão cada vez mais apaixonados e cortam o peso como os cacos de um espelho que se parte. Belíssimos e colorindo as composições com brutais contrastes dinâmicos juntam-se ao metal em raro bom gosto. Aliás, bom gosto é a palavra que melhor define este trabalho do Evanescence. Em nenhum momento o disco cai do nível do perfeito.

A paulada bate forte em “Never Go back” pegada metal de primeira. O grande instrumental acompanha a voz da Princesa que suspira e chora em uma das mais pesadas músicas do disco.

Trabalhando em uma fusão do melhor do heavy metal e new age a banda atinge tópicos apoteóticos. É o disco em que a banda soa mais como si mesma, com poucas influências. O disco aponta para o som que o Evanescence tendo a construir nos próximos anos – e é muito bom! Outra característica da Amy Lee como compositora é a influência marcante da  New Age o que várias vezes lembra o lindo trabalho de Tori Amos.





Destaco (se possível, pois, o disco é muito homogêneo): “What You Want”, “Made of Stone”, a lindíssima “My Heart is Broken”, “The Other Side”, “Sick”, “End of a Dream” (chega...vou citar o disco todo)

A única coisa que acho que pode ter mais são solos de guitarra. As bases são maravilhosas, mas, bons solos e mais instrumentais só iriam elevar o Evanescence ao nível de obras como o nervoso “Slave to the Grind “ do Skid Row ou “Empire” do Queensrÿche.

Magnífico exemplar que já entrou para minha história pessoal (tanto quanto o cd ”Fallen”) já indico o terceiro “Evanescene” para um dos 5 grandes discos do ano – provavelmente o vencedor. Amy Lee está cada vez melhor. Estou cruzando os dedos para ver o show ao vivo deles em breve. Se na outra vez precisei de “soro” para ressuscitar, desta vez vou ficar vários dias sem saber em que planeta estou....nota 10,00 (existe uma nota maior???)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Disco que mudaram minha vida - parte I

       DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA – PARTE I:

Alô pessoal. Hoje vou iniciar uma atividade que tenho realizado no Facebook que me tem sido muito prazerosa. Ao organizar meu acervo de CDs resolvi postar no Face, para cada banda/cantor/cantora e outros na minha estante, o CD que marcou uma época na minha vida. Atenção: não é necessariamente o melhor Cd de cada área (discoteca essencial), nem o que mais gosto, mas, aquele que por alguma razão, pelo próprio momento histórico em que cruzou meu destino marcou por algum motivo. Uma festa, um show, um especial da TV, uma pessoa, um bar que abriu...etc. Aqui faço uma restrospectiva da minha história pessoal, contada por meio dos discos comprados e ouvidos os quais me fazem lembrar com carinho as passagens da minha vida.  Aos bem-vindos que visitam o Blog e não me conhecem ou não têm um contato mais próximo comigo espero que sintam pelo menos uma curiosidade pela música aqui apresentada. Abraço para todos e “boa viagem musical”...

       1. The Beatles: 1962 – 1966 (red); 1967 – 1970 (blue):


     Pra comecar - a Melhor Banda de todos os tempos. Ninguém supera (e acredito que ninguém jamais superará) "The Beatles". O primeiro disco de rock que eu ouvi na vida (que me recordo) foi o "Red album". Eu devia ter uns 8 anos. Minhas faixas favoritas eram “All my Loving” e “Can't Buy me Love”. Algumas semanas mais tarde depois retornei à minha cidade e encomendei o álbum. A loja se equivocou e recebeu o "Blue album". Pensei que era o mesmo disco e levei para casa. Ao ouvir percebi que eram outras músicas. A princípio me decepcionei um pouco, mas encontrei no "Blue album" uma música que estava procurando. Tratava-se de “All you Need is Love”. Até hoje, na minha opinião, a melhor música do quarteto. Com o tempo descobri que considero "Blue album" superior e mais maduro do que o "Red" mas ambos são essenciais.



        2. Yes - Yesshows:






Voltando de férias vi na estante da loja o disco que me revelou o Yes. Yesshows marcou, e muito a minha vida. É, na minha opinião, o melhor album deles ao vivo. Impecável . Abre com a lindíssima “Parallels” e inclui uma execução de “The Gates of Delirium”, magnifica e longa obra que finaliza com a melancólica “soon”. Perfeito, digno da qualidade do Yes


3. Jethro Tull – Thick as a Brick:


     
   Jethro Tull tem um catálogo de discos imenso. Mas, entre as pérolas de estúdio vou destacar o primeiro disco que comprei deles. Foi em uma promoção que consegui esta magnífico disco, nos idos de 1980-1981. Obra longa (dois lados ininterruptos com tempo médio de 22 minutos cada). Melodias geniais conduzidas pela grave voz do duende Ian Anderson. Ótimo disco para ouvir num domingo chuvoso.  



4.   Pink Floyd – Animals:


     

     Magnífica banda! Ok, The Wall pode ser a obra mais conhecida do grupo e, talvez, uma das melhores, mas, um disco que me marcou foi o primeiro Lp que comprei deles. Na época eu tinha poucos discos (1980 – início da minha coleção). Para dizer a verdade eu tinha apenas 4 discos: "The Who - Live at leeds", "The Who - The Kids are Alright", "Black Sabbath - Master of Reality" e este aqui, ou seja, só coisa fina. O disco estava em um estado lastimável, mas, foi o suficiente para apreciar a ótima “dogs” e a sintetizada “sheep”. Nota 10.


5. Queen – The Game:
     



     Fundamental para mim, pois o Queen foi a primeira banda que colecionei. Ok, “A Night at the Opera” é o melhor disco, mas “The Game” me emocionou quando vi o artístico clip de “Save Me” no Fantástico no final dos 80. O clip é concebido com desenhos sobrepostos onde uma mulher lê uma carta de amor e se joga de uma ponte se transformando em uma pomba (eu sei, pode ser brega, mas, ninguém é brega com tanta classe, inteligência, arte e bom gosto com o Queen). Òtimo disco!



6. Led Zeppelin – Physical Graffiti:



    
     Considero "Physical Graffiti" o melhor álbum do Led Zeppelin e pra mim um dos discos que eu levaria para uma ilha deserta. Se vc está passando fome e tem esse disco - é capaz de esquecer tudo. Na primeira vez que ouvi o disco não bateu, mas, ano após ano me convenço cada vez mais que este é o disco definitivo do Led (tá certo, o I, o II, o II , o IV .... - chega, senão vou citar todos - também são pefeitos, mas, este aqui é pra ouvir pra sempre...).


7. Black Sabbath – Born Again:




 
      Muita gente "torce o nariz" para o Born Again - mas acho um dos álbums em que o Sabbath melhor atingiu os climas de terror a que se propunham. Gillan pega pesado em "Disturbiing the Priest" e "Trashed" mas, a força do disco reside mesmo na perturbadora "Zero the Hero" onde o baixo de Geezer Butler conduz com precisão grave os ritos do "demo". Impecável!

    

8. Genesis - Duke:




    
Do Genesis não posso deixar de citar o primeiro disco que ouvi em uma loja de um supermercado. Em pleno início dos anos 80 todos atribuíam ao Genesis o rótulo de banda "discoteca" (provavelmente em função da musíca "Follow you Follow me" ter saído na trilha sonora de uma novela). Resolvi conferir, pois, não aceitei que uma banda progressiva não tivesse um trabalho interessante. Fiquei extasiado com os teclados que iniciam "Duke" na maravilhosa "Behind the lines". O resto é só ouvir para sacar som de alta qualidade.


9. King Crimson –Lizard:




  


     Mesmo não sendo o clássico definitivo da banda, "Lizard" do King Crimson me fez entender a proposta progressivo-cabeça do Sr. Robert Fripp. Gol de placa do Crimson. Melhor se escutado ininterruptamente do início ao fim. Grande particiapção do Jon Anderson do "Yes" na faixa-título. Vale a pena ter em vinil para apreciar (com uma lupa) cada detalhezinho da capa...Arte pura!



 10. Uriah Heep – live – january 1973:








    


     Do Uriah Heep, não tenho outra opção senão o Live 73. Depois de muito procurar - encontrei a versão em vinil importada com o livreto original. Um dos melhores álbuns ao vivo de heavy metal. O que seria do faith no more sem os climas criados pelo Uriah Heep...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Siouxie and the Banshees - Nocturne: delírio hipnótico embalado por mantras psicodélicos.


Estava eu há alguns dias no maior aconchego do meu quarto reorganizando minha coleção de DVDs e o que encontrei? Um raríssimo show que comprei este ano em Buenos Aires. Acreditem: consegui uma ponta de estoque, em uma loja, do show "Nocturne" do grupo “Siouxie and the Banshees”.


Desde 1987 que eu queria ver esse show na íntegra e ainda não tinha tido a oportunidade. Assisti ao show e não resisti a fazer o seguinte comentário (originariamente publicado no Facebook e revisado para esta publicação):

Nos meados dos anos 80, aqui no Brasil, o público, cansado da superexposição do “Heavy Metal” que ocorreu após os shows realizados aqui pelo “Van Halen” e pelo evento “Rock In Rio I” voltou sua atenção para a onda britânica musical que tinha sido revelada com a apresentação do U2 no “Live Aid”. O novo estilo foi batizado de “Neo Psicodélico”. Uma derivação natural do Punk, com influências góticas e eletrônicas somadas ao Pop e algumas coisas que lembravam Kraftwerk e Gary Numan.

Tal estilo não surgiu na referida época, já vinha derivando do movimento Punk. E as manifestações que começaram a ocorrer após a estética Punk. O movimento recebeu o título – evidente - de "Pós-punk". Uma dessas derivações foi a fusão do Pós-Punk com ecos de melancolia. Surge então o “Pós-punk Gótico”, que cito como principais representantes o “Bauhaus” e “Siouxie and the Banshees” (banda de onde mais tarde iria sair o introspectivo Robert Smith fundador do “The Cure”).

Saliento que o pós-punk gótico não veio após os “New Heavies” (ou NWOBHM) e, sim, cresceu paralelamente a esse estilo. O que houve foi que o público brasileiro é que direcionou suas atenções para esse gênero. O surgimento do "Pós-Punk" é mais antigo - do final da década de 70.
Continuando, esta atenção do público nacional ao refrido estilo rendeu frutos como as bandas “Legião Urbana”, "Plebe Rude", “Zero”, e outras um pouco mais melancólicas do que os “Kid Abelhas” da vida...(não há conotação pejorativa nesta afirmativa. Destaco que sou fã incondicional do Kid Abelha – na fase “educação Sentimental”. Este comentário serve apenas para contextualizar o surgimento das bandas).

Pois bem, este estilo musical, hoje fossilizado nos anais da historia dos anos 80 (ignorado pelas novas gerações) se notabilizou pelas melodias sem regramento harmônico, longos efeitos de echo, flanger, chorus, ruídos,  cacofonias, microfonias e acidentes sonoros que perturbassem a mente do ouvinte.

É exatamente isso o que encontrei no show "Nocturne" da banda sui generis "Siouxie and the Banshees".

Com estilo único, extremo carisma da vocalista Siouxie Sioux e uma cozinha de fazer inveja a qualquer “Good Charlotte” que se diga “deprê”, o “Siouxie” é uma forte expressão na corrente musical citada.

O Baterista (com "B" maiúsculo mesmo) extremamente profissional e criativo Budgie (marido da Siouxie), o extraordinário baixista Steve Severin e Robert Smith, nas guitarras, completam o formação  em grande estilo.

A banda leva o Royal Albert Hall à hipnose completa em um espetáculo de luzes e sons absolutamente delirante. A voz de Siouxie parece entoar mantras que induzem o ouvinte a uma atmosfera que mescla a destruição da arte gótica pela urbanidade "noise" do final de década de 70 e da década de 80.

O show cresce em luzes com presença cênica da líder do grupo que demonstra uma expressão corporal muito intensa.

Bombástico é o final da experiência onde as microfonias de Robert Smith são enterradas vivas pela cortina de fumaça e luzes que fecha o espetáculo.

O ruído fica na cabeça e nos ouvidos, quase tão alto como a saudade daqueles tempos em que a música era mais uma filosofia de expressão artística completando a personalidade do compositor do que nos dias atuais, em que tudo é tão polido, tão processado, profissional, “preset”, não deixando qualquer espaço para algo diferente, quebrado, inovador, orgânico.

Quem viveu lembra com saudade. Quem não viveu dificilmente vai entender a filosofia daquela época anárquica, uma vez que não ficou gravada no inconsciente coletivo como ficou a geração “Hippie”.

Nos anos seguintes o grupo “Siouxie and the Banshees” lançou seu álbum mais famoso, o genial “Tinderbox” e estourou com o sucesso “Cities in dust”. O álbum, mais adocicado, mais suave, mas mantendo complexidade de arranjos, é um trabalho diferente do impacto visceral apresentado aqui, porém, serviu para ativar a vendagem de discos da banda.
Tinderbox - sucesso comercial nos anos 80.

Entretanto, como o estilo do grupo não era direcionado às grandes massas, como no caso do U2, após “Tinderbox” a banda se enclausurou sendo apreciada apenas pelos verdadeiros fãs, estes sim (grupo no qual me incluo) têm o privilégio de buscar e conhecer o material que até hoje eles têm produzido. Saleinto que o grupo “Siouxie and the Banshees” hoje produz um tipo de música mais difícil, intrincada e cacofônica ainda. Para poucos.

Aos que se interessarem pelo estilo, quando se depararem com o DVD “Nocturne”, vale comprar, certamente. Para quem não conhece, é possível assistir no YouTube (há bons trechos disponíveis).

Quem viveu a época achará ótimo para matar a saudade. Para quem não conhece é uma grande oportunidade de conhecer uma das bandas mais significativas do "Pós-punk" devido à pureza de seu estilo.

Nota 10,0 sem dúvida.

domingo, 30 de outubro de 2011

Corações Perdidos: filme comovente discute culpa, companheirismo e tolerância com mensagem otimista.

CORAÇÕES PERDIDOS – de Jake Scott.
Corações Perdidos (Welcome to the Rileys)– de Jake Scott.
A cena de abertura de corações perdidos já prediz o que o espectador vai assistir: um carro em chamas. O fogo pode ser considerado um elemento de transformação. Destrói o antigo e prepara o nascimento do novo. É assim com a Fênix – ave mitológica que renasce das cinzas. Tal afirmativa é perfeitamente aplicável aos personagens do longa “Corações Perdidos” (tradução adaptada de “Bem-vindo à casa (ou à vida) dos Rileys”), drama melancólico no qual o renascimento parece ser a única e possível alternativa para seus protagonistas.
O diretor Jake Scott, tem a quem puxar. Filho de Ridley Scott (de “Alien”) e sobrinho de Tony Scott (de “Fome de Viver”). Apesar de pupilo destes dois grandes estetas e publicitários, absorveu deles a qualidade técnica e, neste seu longa de estréia, demonstra maior maturidade do que os seus mestres ao abordar relações humanas, tema menos evidenciado nas obras do pai e do tio. Tende a superá-los nesse aspecto. Seu filme apresenta uma profundidade que o diretor privilegia em detrimento da simples beleza estética visual.
 (ATENÇÃO: AOS QUE NÃO ASSISTIRAM AO FILME E NÃO DESEJAREM QUALQUER REVELAÇÃO SOBRE A HISTÓRIA ESTE PARÁGRAFO DEVE SER PULADO) A história, em princípio, não é tanto original. Seu desenvolvimento é que leva a novos questionamentos. Uma abordagem diferente de um problema já muitas vezes apresentado no cinema: O casal Doug (Gandolfini) e Lois (Leo),  despedaçado pela morte acidental da filha enfrenta uma crise no relacionamento. Ele viaja para assistir a um congresso e, na busca por fugir dos contatos sociais, insuportáveis, refugia-se em uma casa de strip-tease. Lá conhece a jovem Alisson/Mallory (Stewart) desamparada e sozinha que luta em situações muito difíceis. Ao decidir depositar seu carinho e cuidado nesta órfã ressurge seu interesse pela vida. Este ato irá desencadear uma profunda modificação na vida de todos trazendo a cada um intensas reflexões sobre suas escolhas e os respectivos resultados.
O Filme é lento, porém, nunca monótono. O ritmo pausado destaca as nuances de interpretação do trio de protagonistas. As situações provocam reflexões e os personagens são complexos, ora compreendendo o estado de coisas em que vivem, ora buscando intervir tentando alterar a dura realidade que a vida a eles impôs.
O trabalho dos atores é fascinante: Melissa Leo já indicada ao Oscar por “Rio Congelado” e vencedora este ano na categoria Atriz Coadjuvante por “O Vencedor” é uma atriz extraordinária. É notável o complexo de emoções das quais a atriz é capaz com a sua grande  aptidão técnica. James Gandolfini, conhecido por seu trabalho na série “The Sopranos”, é um ótimo ator e aqui surge como um verdadeiro “gigante gentil”. Diretamente proporcional à sua grande estatura física demonstra ser um intérprete capaz de emoções genuinamente verdadeiras. É difícil não se emocionar com suas lágrimas (e a busca por contê-las) quando se refugia na garagem em busca de seu isolamento para reflexão. E Kristen Stewart, notabilizada pela personagem Bella da saga “Crepúsculo”, brinda o público com uma interpretação ao nível da dos veteranos. É perfeita a cena em que ela, contendo as lágrimas, se ressente dos ensinamentos de Doug ao ensiná-la a arrumar a cama, na busca pelo resgate de algo de valor em sua história pessoal.
Destaco algumas cenas: A belíssima e verdadeira troca de carinhos no de reencontro do casal quando Lois chega à cidade onde está Doug e este vai ao seu encontro. A cena logo no início em que Doug vai ao cemitério e surpreende-se com as lápides. E o enquadramento estático do beco por onde adentra Alisson/Mallory perto do final quando o casal, aguarda a volta da “filha adotiva” para, evitando buscá-la e cometer duas vezes o mesmo erro, amargamente aceitar  que a realidade é bem mais árdua do que a ilusão de ambos em compensar o passado.
Lindíssimo filme que nos faz pensar sobre as perdas, nossa (in) tolerância e o respeito às decisões alheias, “Corações Perdidos” é uma obra que discute a dor, o perdão, o amor e o companheirismo. Após a projeção o público também “ressurge das cinzas”, modificados, tanto quanto os personagens, com os corações profundamente tocados de lágrimas, perdão, respeito e um leve otimismo. Nota 9,0.    

UFO - The Visitor. Os senhores do Hard Rock mostram que ainda sabem fazer grandes melodias.


UFO – the Visitor
O UFO continua na ativa. Não preciso mais falar do grande apreço que tenho pelo grupo inglês – já que no comentário do disco “Obsession” esgotei os elogios genéricos ao grupo. Estou aqui comentando o mais recente álbum deles. Trata-se de uma obra mais leve do que o UFO costuma fazer, mas, nem por isso sem o padrão de qualidade da banda britânica.
O UFO está com a mesma formação já há um bom tempo – creio que 10 anos aproximadamente. Porém, 75% do grupo é formado pelo time original, dos primórdios de sua existência. O som mudou um pouco, as guitarras foram atualizadas por conta do virtuoso Vinnie Moore, guitarrista de mão cheia (o UFO, tal qual Ozzy Osbourne, sempre contou com “mestres” das 6 cordas) o que faz com que a banda seja objeto de interesse dos guitarristas mais novos, que, aqui encontram um casamento perfeito entre o uso da técnica atual com a essência musical dos veteranos rockeiros.

Porém, “The Visitor” é um disco relativamente “morno”. Belo em suas melodias, mas carece um pouco de momentos de ápice. O disco sucedeu o anterior “The Monket Puzzle” que trazia uma proposta mais “Heavy”. Aqui o UFO ameniza sua força, mas, mantém a capacidade melódica pela qual é conhecido.
A obra abre com um belo solo de slide guitar seguido de uma passagem acústica. A voz de Phil Mogg continua perfeita! É uma boa introdução. Peso na medida certa. O baterista Andy Parker, como poucos, segura o ritmo com o coração de que uma boa banda necessita. Na segunda faixa, “Saving me” o UFO demonstra que ainda é uma das bandas que melhor confere “alma” aos seus trabalhos.

Destaco o trabalho de timbragem das guitarras – limpas e pesadas. Os harmônicos do instrumento não sofrem qualquer achatamento com o uso da distorção, como ocorre em muitos trabalhos lançados atualmente que soam magros e sem vida.

O disco segue apresentando temas de qualidade impecável. Os temas são bem cantáveis, porém, como já dito, carece um pouco de pique e um andamento mais veloz.  

A lentinha “Forsaken” é apenas razoável. A faixa mais fraca do disco. O UFO é conhecido por suas musicas românticas e lindas, mas, “Forsaken” não faz jus à reputação da banda. Se fosse necessário remover alguma música do disco com certeza seria esta.

Perfeita mesmo é “Stranger in Town” que fecha o disco demonstrando que a melhor banda do planeta (em minha opinião) ainda tem gás para fazer um respeitável disco.

Ritmo, peso, rock’n roll cru. É assim que se faz! Lamento a ausência do UFO no Rock In Rio na mesma noite do Motorhead. Seria uma grande oportunidade de oferecer à platéia uma ótima pós-graduação em hard rock. Para quem não conhece o que houve na década de 70 já seria o suficiente para afirmar: “já estive em um show de rock”.

Enfim, “The Visitor” não se inclui entre as obras primas do UFO. Lembra a fase dos álbuns “Mechanix” e “Making Contact”, mas, com suas belas melodias e, diante do panorama atual, qualquer trabalho da banda vale 10 vezes mais do que a compra de muita coisa nova que está nas prateleiras. O disco pode não ser tão pesado e agressivo como o excelente e anterior “The Monkey Puzzle”, mas, demonstra bem o que acontece quando os senhores do hard rock resolvem pegar seus instrumentos e aplicar uma lição aos moleques de hoje em dia. Nota: 7,5!

sábado, 29 de outubro de 2011

UFO - Obsession. A estridente face melódica do Heavy Metal.


UFO – Obsession
No final de 1980, eu, a recém estava me informando sobre o que seria “esse tal de rock’n roll” e uma revista da época publicou uma matéria sobre o estilo “Heavy Metal Rock”. Uma das fotos da reportagem que me despertou a curiosidade foi a do UFO. Gostei do nome, combinava com rock pesado e voador (tanto quando Led Zeppelin).

A partir daí comecei a querer ouvir que tipo de som pesado aquela banda fazia. O único material que eu já tinha visto nas lojas era um disco chamado “Obsession” cuja capa era muito interessante. Os membros do UFO com bolhas (que pareciam de mercúrio) nos olhos, narizes e ouvidos – como se estivessem possuídos por uma força alienígena. Ao centro da capa apenas a foto do guitarrista Michael Schenker apresentava o rosto normal.

Ao passar as férias em Itajaí meu irmão deu uma passada em Balneário Camboriú e comprou o LP. Ouvimos logo que chegou. Gostei logo de cara.
“Only you can rock me” – faixa de abertura – me atordoou completamente – o solo de Michael Schenker é maravilhoso. Agudo, cortante, melódico, lindo! Perfeito! É impossível suprimir qualquer nota. Considero o melhor solo de guitarra que já ouvi.

“Pack it up and go” é uma violência sonora. Um verdadeiro soco no tímpano. A guitarra estridente de Schenker sola o tempo todo enquanto a bateria de Andy Parker soa alto e com autoridade.

Para acalmar um pouco o clima “Arbory Hill” é linda! Um maravilhoso solo de violão com acompanhamento de mellotron - entra na hora certa demonstrando que não se trata de uma banda comum, mas, trata-se de um trabalho do mais alto nível.

Em seguida a pesada e melódica “Ain’t no Baby” traz novos elementos ao disco – pulsação lenta e perfeita melodia. Um dos solos de guitarra em que Schenker soa mais agudo e dilacerante. Deve ser ouvida em volume alto (como todo o disco).

O lado 1 (em vinil, obvio) fecha com um clássico – “Looking out for #1”. A faixa aproxima o UFO do rock progressivo. É trabalhada, muito bem arranjada. Demonstra a sofisticação dos músicos e principalmente de Paul Raymond – tecladista e guitarrista. Seu arranjo no piano é emocionante, lírico e harmonicamente perfeito!

O UFO abre o lado 2 de “Obsession” com o peso de “Hot’n ready” – arena rock pesado de primeira linha. O solo rapidíssimo e com fraseado em pentatônicas dita a força da canção. Para levantar a galera em qualquer show.

“Cherry” é outro clássico – nesta aqui quem se destaca é o baixista Pete Way que delimita o tema com acordes no baixo. Contrastando partes lentas e dinâmicas com refrãos de alto pique é uma das músicas que até hoje o UFO executa ao vivo – não poderia ser diferente – a música resiste ao tempo.

Um instrumental solo de guitarra não poderia faltar neste álbum clássico. “Looking out for #1 (reprise)” é uma variação da primeira parte com a melodia sendo cantada na guitarra. Schenker demonstra toda sua expressividade e mostra porque é um dos melhores guitarristas do mundo (na minha opinião o melhor de todos os tempos).

O disco segue com as perfeitas “You don’t fool me” e “One more for the rodeo” que só confirmam a regra: peso, melodia, força, energia. Combinam perfeitamente com o disco mantendo o estilo inalterado.

Mas o destaque que fecha o disco é “Born to lose” onde a execução de Michel Schenker é clara, precisa, e sentimental. O disco conclui com esta ode maravilhosa.

Obsession é um disco reverenciado por muitos músicos da cena metal atual. Kirk Hammet (Metallica) é um fã confesso. Os membros do Def Leppard pagam reverências à banda e muitos críticos de Heavy Metal não entendem porque o UFO não tem o memso destaque de Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath e Uriah Heep, pois, “o UFO está no mesmo nível de qualidade”.

Sempre me emociono quando vou ouvir “Obsession”. Considero o melhor álbum e o melhor trabalho de guitarras de Heavy Metal já produzido. Marcou a época da minha vida como uma descoberta magnífica. Mesmo quando no Brasil não eram lançados nem eram importados muitos discos estavam saindo no exterior, foi, neste deserto musical, uma obra que me marcou e me emociona até hoje, ou seja, a admiração não foi apenas resultado da carência musical da época, e sim, o valor do disco em si.

Foi a primeira vez na minha vida que o trabalho de um guitarrista fez brotar em mim a idéia de ser um guitarrista (até então meu interesse era o teclado). No ano seguinte - 1983 - assisti ao show do Van Halen em Porto Alegre e vi outro mestre das guitarras ao vivo. Não tinha mais jeito. O coração assumiu o controle. Eu estava decidido que o instrumento elétrico de seis cordas seria minha vida para sempre e minha profissão nas próximas décadas. Graças ao perfeito “Obsession”. Minha Banda do coração. Nota 10.0