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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Trapaça: Amy Adams brilha junto com elenco primoroso em excelente filme estilo anos 70!

TRAPAÇA: Merece todos os Oscar a que está indicado - e não será injusto se levar cada um deles. Taquicardia, excitação, euforia, tensão, espanto e outros  estados espirituais! Não, não são os carismáticos, multidimensionais e verossímeis personagens do genial "Trapaça" - apesar dos estados acima se aplicarem totalmente ao espetacular elenco do filme. Eles se referem a este que vos escreve! Foi desta forma que saí do filme: tenso, eufórico e etc...! Se o "Lobo de Wall Street" era Scorsese até o osso, "Trapaça" vai até a alma referenciando filmes e diretores da década de 70, mas, repaginados e com a extrema competência na direção de David O. Russel. As imagens são excelentes. A montagem é primorosa e o roteiro gira tanto que dá vontade de ter um controle remoto no cinema para dar uma pausa para respirar de vez em quando.

Tudo é impecável, mas, o grande valor do filme mesmo é o elenco! Todos geniais. Christian Bale dá um banho como um golpista sério, profissional, cauteloso, mas por dentro um grande ser humano - capaz de honrar compromissos familiares e de se apaixonar profundamente. Bradley Cooper é perfeito como o agente egocêntrico e completamente desesperado infantil e inconsequente.  Jennifer Lawrence ...ora É Jennifer Lawrence! Perfeita como sempre, sua personagem tem diálogos de chorar de rir - acredita nas besteiras que diz... E tem uma participação não creditada que não posso revelar quem é - mas é perfeita! 

Porém, Justiça seja feita! A Grande Estrela do filme (com letras maiúsculas mesmo) é a impecável Amy Adams. Uma das grandes Atrizes da atualidade (provavelmente a melhor). Ela pode, deve, merece e VAI ganhar o Oscar. A força nos olhos da atriz é brutal. Quando acusa é muito intensa. Quando chora seus olhos murcham. Quando se apaixona, brilha. Mas em TODAS as cenas (Todas mesmo) em que ela está no quadro há ALMA dentro dela. Há vida lá dentro. Creio que não vejo um entrega tão intensa desde que Naomi Watts fez "21 Gramas". Ela é a luz do filme. Uma cena no toliette com Jennifer Lawrence coloca duas das maiores atrizes da atualidade a contracenar e é absolutamente histórica! Perdi o fôlego várias vezes com a intensidade de Adams e não bastando isto ela ainda esta linda! Perfeita, o que a faz mais bela ainda porque se trata de uma mulher REAL, sem photoshop. apaixonante, sedutora sem ser vulgar, enfim, ela é "A" Atriz do ano - merece a estatueta e acreditem - tem que ser vista na tela grande. 

Aliás, a fotografia do filme é tão perfeitamente "anos 70" que o lugar deste filme é no cinema! Depois de processarem digitalmente em Blu-Ray vai perder a autenticidade. Ufa! Falei bastante mas pretendo não ter entregado nenhum spolier. Corram para o cinema. Um espetáculo desses tem que ser visto sem interromper, pois, piscou perdeu muita coisa da história. Depois de "Boogie Nights" e "Pulp Fiction", mais um exemplar de como é bom se fazer, hoje em dia, cinema de antigamente, que, mesmo com excesso de maquiagem, caras, bocas e roupas não é possível ofuscar o que um ator de verdade tem - intensidade! Nota 10.000,0 (ops, perdão.... me empolguei) retificando: Nota 10,0 (claro) e vamos comemorar cada Oscar que "Trapaça" faturar! Filme assim não se vê todo dia!   

sábado, 21 de julho de 2012

Na Estrada desperta emoções diversas no espectador pela inconsequência dos personagens.



Conheço muito por cima os escritores da geração Beatnik. Ainda vou fazer um estudo do movimento e publicar alguma coisa por aqui. O que conheço vem do filme "Sociedade dos Poetas Mortos". Mas sei que eles influenciaram toda uma geração na contracultura e o movimento culminou com os "Hippies". 

Bem, fui assistir "Na Estrada" hoje e me surpreendi - nem tanto com o filme, mas com minhas reações diante da tela. A princípio comecei achando o filme bem monótono e imaginei que iria ser difícil assistir 2h20 naquele ritmo. 

Entretanto, conforme vai passando a "jornada" em busca do prazer e da liberdade dos personagens, o filme se torna mais e mais interessante, pois, a cada momento os personagens, liderados pelo carismático e de espírito livre Dean Moriarty, quebram mais barreiras e destroem os valores da sociedade americana conservadora. Imagino que, na época do lançamento do livro, deva ter sido uma verdadeiro escândalo. A aventura deles destaca todo tipo de amor livre, muitas drogas, viagens em alta velocidade e muitos, mas, muitos cigarros e álcool. 

Creio que o personagem Sal (brilhatemente interpretado pelo espetacular Sam Riley) é o alter-ego do Kerouac. Ele faz o olhar do espectador, que, não entra a fundo nas aventuras de Dean, mas acompanha de perto toda a jornada desde a expressão da liberdade até as consequências dos seus atos irresponsáveis, destruindo a vida de suas mulheres. 

Perfeitamente dirigido por Salles o filme é uma beleza em termos de interpretação. Os atores estão excelentes, com personalidades profundas e densos em suas dúvidas paixões e decepções. Neste último quesito saliento Kirsten Dunst e Kristen Stewart (que cada vez mais se liberta da Bella de Crepúsculo - graças a Deus, e, aos diretores é claro). Minhas emoções ao assistir foram quase opostas (será que estou ficando conservador?). 

Fiquei emocionado com a amizade dos protagonistas, empolgado com as paixões, comovido com as decepções e terminei o filme profundamente tocado e com tristeza de ter visto os efeitos da liberdade sem freios. 

Porém, fiquei feliz porque um grupo de seres humanos, pelo menos, libertou-se contra os limites impostos pela sociedade conservadora e, alguns dias, viveu a vida intensamente. Mais uma obra da contracultura que o cinema embala para eternizar uma época em que a juventude tinha intelectualidade para buscar as cores da vida......e não ficavam apenas atrás de telas de vídeo-game. 

Nota 8,5! Detalhe: a cada ator conhecido que faz suas pontas o filme fica mais interessante. É surpreendente vê-los em cena!